
10/07/2009
Enfermagem
A importância do papel educativo da equipe de enfermagem ao familiar e ao paciente estomizado para o desenvolvimento do seu autocuidadoA construção de um estoma ocorre muitas vezes na vida do paciente em meio a uma situação de grave crise, na qual a vida e a morte estão nitidamente presentes. Os pacientes, muitas vezes, se deparam com o estoma em curto espaço de tempo, entre o diagnóstico e a cirurgia, ou, quando são submetidas à cirurgia de urgência, as adaptações da colostomia e/ou ileostomia processa-se em meio à adaptação, causada pelo desequilíbrio gerado pelo diagnóstico, e pela necessidade da construção da estomia, sendo esta situação dominada pelo medo e insegurança (CEREZETTI, 1986). A estomia pode ser definida como uma nova boca, ou seja, uma comunicação de um órgão tubular ou oco com o exterior. (SILVA, 1997). Colostomia é uma derivação do intestino grosso através da parede abdominal para desviar o transito intestinal (SAMANA, 1986; SILVA, 1997). Já ZERBETTO (1981), define colostomia como uma comunicação da luz do intestino grosso com o exterior, indicada para o tratamento de várias afecções. Já a ileostomia é uma abertura cirúrgica do íleo, através da parede abdominal, para eliminações do conteúdo intestinal (SILVA 1997). A família é o primeiro núcleo de relação do estomizado, exercendo profunda influência nas reações e situações que envolvem a nova vida do estomizado. O paciente busca na família apoio e segurança. Suas reações a respeito da estomia são decisivas na recuperação não só física como também da auto-estima, autoconfiança e do retorno às atividades sociais. O apoio familiar é fundamental para o paciente estomizado. O trabalho de instruir a família do estomizado começa no hospital, durante o período de internação; a comunicação deve ser clara e honesta, e a família deve ser esclarecida, com clareza, sobre a situação do paciente. A orientação da família do estomizado traz para o paciente ganho, tanto na qualidade de vida, quanto na auto-estima, pois com a aceitação da família, a situação para ele torna-se mais fácil. Por isso o aprendizado e as orientações devem começar no pré-operatório, de forma clara e constante. O enfermeiro deve interagir com o paciente de maneira informal e aberta para o esclarecimento de dúvidas. A comunicação como processo colabora com a qualidade dos relacionamentos que deverão ser estabelecidos nas relações de trabalho, na assistência ao paciente e família. Além de ser fundamental para a comunicação do enfermeiro com o paciente e família, deve-se também considerar seus valores e crenças, além de se estabelecer com ele um relacionamento empático. Os problemas enfrentados por um indivíduo hospitalizado e sua família aparecem nitidamente no decorrer da internação, comprovando que a comunicação com a equipe de enfermagem é de grande importância, pois é com o contato diário e constante que ela se depara com os temores e ansiedade, que serão ou tentarão ser aliviados, por meio de informações claras e linguagem simples. Quando o paciente é admitido em uma unidade para submeter-se a uma estomia, o enfermeiro deve iniciar seu plano de ação voltado à educação já no período pré-operatório, passando todas as orientações necessárias, tipo de cirurgia, explicar o que vem a ser uma estomia, o porquê de sua construção, procurando acolher seus medos e receios, mostrando os equipamentos a serem utilizados. Por isso é muito importante que no serviço haja uma equipe multiprofissional, para que o paciente possa ser atendido de forma holística. Essa equipe deve ser formada por enfermeiros, médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais. As orientações devem ser graduais e progressivas. Tal assistência visa diminuir a ansiedade do paciente frente à cirurgia, buscando sempre atender as suas necessidades, expectativas e dúvidas e não as rotinas pré-operatórias, que satisfaçam as necessidades dos profissionais (FOULKES, 1989). Quando o paciente recebe orientações no período pré-operatório, sente-se mais seguro, e no pós-operatório encontramos melhor aceitação do mesmo, uma vez que já há uma boa interação entre paciente-enfermeiro. A assistência de enfermagem no período pós-operatório envolve o atendimento das necessidades biopsicossociais do estomizado, podendo-se afirmar que a reabilitação está diretamente relacionada ao atendimento dessas necessidades de maneira precoce, sistematizada e individualizada o cuidado de enfermagem em estomoterapia nesta fase, tem como objetivo: ajudar o paciente a desenvolver o autocuidado e treinar um indivíduo da família para esse cuidado; oferecer suporte emocional; prevenir e detectar complicações com o estoma e pele periestoma; coordenar esforços para efetivação do processo de reabilitação voltada para a recuperação física, psicológica e reintegração social. O enfermeiro, ao prestar assistência no período pós-operatório, deve sistematizá-la de forma a fornecer informações não só sobre o autocuidado, mas também com relação à alta hospitalar, ocasião em que ele deve informar sobre: a dieta; retorno as atividades da vida diária; onde conseguir o material para troca das bolsas; ensinar a reconhecer as complicações; orientar sobre o retorno ambulatorial; além do auto-cuidado, que já deve ter sido iniciado no período pré-operatório. Nessa fase, a instrução da família é fundamental, devendo ela receber as mesmas orientações fornecidas ao paciente estomizado, a fim de desenvolver interação deste binômio, possibilitando assim que aqueles pacientes que não aceitam as orientações recebam apoio e cuidado adequados. Lílian Reis de Oliveira - Enfermeira especialista em Unidade Terapia Intensiva do HAG.
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