Carregando...
Ambulatório de Ortopedia: como você avalia o antendimento?



Carregando

02/09/2009

Anemia Ferropriva

Bárbara Esteves - Nutricionista do HAG

A anemia por deficiência de ferro é a carência nutricional de maior magnitude no mundo e atinge principalmente as crianças menores de dois anos e as gestantes, de todas as classes sociais. Estudos apontam que aproximadamente metade dos pré-escolares brasileiros sejam anêmicos e, no caso de gestantes, estima-se uma média nacional de prevalência em torno de 30%. São descritas várias possíveis causas, porém, o principal fator desencadeador da deficiência de ferro é a quantidade insuficiente deste mineral na dieta para satisfazer as necessidades nutricionais individuais. Como resultado da deficiência prolongada ocorre a anemia, um dos fatores mais importantes relacionados ao baixo peso ao nascer, à mortalidade materna e ao déficit cognitivo em crianças. Geralmente, a pele dos indivíduos anêmicos fica pálida e a parte interna das pálpebras inferiores possui coloração rosa claro ao invés de vermelho. A função muscular inadequada é refletida na diminuição do desempenho de trabalho e da tolerância ao exercício. O comprometimento neurológico se manifesta por alterações comportamentais como fadiga e anorexia. Um possível sinal da deficiência precoce de ferro é a imunocompetência reduzida, propiciando maior incidência de infecções. Apesar de muitas vezes ser difícil determinar, o tratamento deve enfocar primariamente a doença subjacente ou a situação que desencadeou a anemia. O tratamento principal envolve a suplementação de ferro por via oral e, em alguns casos, a administração parenteral pode ser necessária. Além da suplementação, deve-se dar atenção à quantidade ingerida de ferro dietético absorvível, pois a biodisponibilidade desse mineral na dieta é claramente mais importante na correção ou prevenção da deficiência do que a quantidade total de ferro dietético consumido. O ferro heme (cerca de 15% absorvível), presente na carne, peixes e aves, é muito melhor absorvido do que o ferro não heme, que também pode ser encontrado nestes alimentos, assim como em ovos, grãos e vegetais. A taxa de absorção do ferro não heme varia entre 3 e 8%, dependendo da presença de fatores dietéticos intensificadores, especificamente o ácido ascórbico (vitamina C). Por outro lado, a absorção do ferro pode ser inibida por alguns fatores. Ingeridos durante as refeições, o café e o chá podem reduzir a absorção do ferro em até 50% por meio de formação de compostos insolúveis. Leite e derivados são alimentos fonte de cálcio, que também atrapalha o aproveitamento do ferro pelo organismo. Em resumo, para maximizar a absorção de ferro e prevenir a anemia, deve-se: 1. Melhorar as escolhas alimentares para aumentar a ingestão total de ferro (fígado, carnes, aves, peixes, gema do ovo, feijão, ervilha, nozes, vegetais folhosos de cor verde escuro e alimentos fortificados); 2. Incluir uma fonte de vitamina C (laranja, acerola, goiaba, caju) em cada refeição; 3. Evitar beber café, chá, leite e derivados, durante ou logo após o almoço e o jantar; 4. Realizar a suplementação profilática, no caso das crianças menores de 2 anos e das gestantes. Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Manual Operacional: Programa nacional de suplementação de ferro. Brasília-DF, 2005.

<< VOLTAR | (( MAIS ARTIGOS )) (( HOME ))